Solidariedade

União para ajudar Karina e Sophia

Portadora da síndrome de May-Thurner, gestante precisa regularmente de medicação que custa R$ 150,00

Carlos Queiroz -

Inchaço na perna e pé esquerdo seguido de dores é algo que acompanha Karina Radmann, 27, há, pelo menos, cinco anos. Depois de tanto tempo, o diagnóstico apareceu: síndrome de May-Thurner. Na mesma época, veio o anuncio que chegaria mais um bebê. Acontece que com essa patologia a gestação acaba sendo de alto risco e as chances de desenvolver uma trombose são grandes. Para evitar o problema, a jovem precisa utilizar uma medicação injetável chamada enoxaparina e cada caixa, com duas aplicações, custa cerca de R$150,00.

Operadora de caixa, mas desempregada desde outubro quando decidiu se afastar para tentar descobrir, de fato, o que provocava os inchaços, ela não tem condições de arcar com a medicação que precisa ser utilizada até as vésperas do nascimento da Sophia, que já acompanha a mãe há 19 semanas. O tratamento teve início em uma UBS e, em seguida, foi encaminhada para o ambulatório Dr. Franklin Olivé Leite onde iniciou o tratamento e foi internada na Casa da Gestante.

Lá, a medicação é garantida e gratuita. Porém, a cobertura das pacientes só ocorre quando ela está internada, após a alta o local não precisa se responsabilizar. Karina ficou sob os cuidados da Casa por cinco dias, mas após conseguir uma quantia para assegurar a medicação em casa acabou tendo alta. Mesmo sabendo que pode recorrer aos serviços novamente que, segundo ela, foram excelentes, a saudade do filho mais velho e do restante da família bate mais forte. “Quando fiquei parecia uma eternidade”, recordou, falando que o primogênito, Eduardo, 10, é muito apegado. O local, por não ser um ambiente hospitalar, permite visitas abertas e conta com espaço externo e sala de convivência. Mas, por enquanto, a futura mamãe está empenhada em se cuidar em casa e perto dos familiares.

Com medicação garantida apenas até o dia 19 deste mês, família e amigos se uniram e fizeram uma rifa - que ainda não teve nenhum número vendido - e uma vakinha on-line para arrecadar a verba necessária. Outro jeito de conseguir a medicação de forma gratuita é através da farmácia estadual, porém para retirada direta só é fornecida a enoxaparina de 40mg e a que Karina precisa é de 60mg. Essa, o Estado só fornece através da justiça, ou seja, o paciente precisa entrar com processo judicial via Defensoria Pública. A família Radmann já começou a juntar os documentos e entrará com o processo na próxima semana. Mas, mesmo assim, temem que até a medicação ser entregue leve tempo. 

Após o nascimento da pequena, a operadora de caixa iniciará o tratamento para a síndrome. Ele consiste em uma série de medicamentos e em uma cirurgia, que, segundo ela, é a mais indicada até o momento. O procedimento é oferecido pelo SUS.

O que é a síndrome de May-Thurner?

Também chamada de Síndrome de Cocket, esta é uma variação anatômica que ocorre quando a veia ilíaca esquerda é comprimida pela artéria ilíaca direita, apertando-a contra a coluna lombar. Na verdade, essa disposição entre veias e artérias é uma condição natural do organismo humano, porém, em algumas pessoas, fatores como a pulsação arterial e a própria formação genética levam a esta compressão. Tal condição ainda acomete a circulação da perna esquerda, levando neste membro um agravamento do quadro de varizes, inchaço e, em casos mais avançados, o surgimento de trombose venosa profunda. Os afetados pela Síndrome de May-Thurner costumam ter entre 20 e 50 anos e 72% são mulheres. A ocorrência, no entanto, é rara.

Como ajudar

É possível contribuir com a Karina e a Sophia por meio da vakinha on-line, no endereço http://vaka.me/1655054 ou através de doações diretas e compras da rifa pelo (53) 98444-2872

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